Seicento italiano

A transição do século XVI para o século XVII foi um período de grande alvoroço intelectual em Itália. No domínio da música, os ecos do Concílio de Trento e, mais tarde, o interesse pelo movimento maneirista, da procura pela expressão afetiva e dramática e pelo movimento da pesquisa clássica, intensificando a simbiose entre a música e a poesia, contribuem de diferentes formas para o aceso debate estético que haveria de culminar no nascimento daquilo que hoje denominamos de “música barroca”. A simetria, a perfeição e o equilíbrio entre o sentimento e a razão renascentistas dão lugar ao “caos”, ao cromatismo que foge de sequências diatónicas, às sonoridades duras, com predominância de dissonâncias que ancoram textos de uma grande carga dramática.

"Seicento" italiano

A primeira década do século XVII assistiu, sem dúvida, a uma verdadeira revolução musical, onde todo o saber e a prática medievais, ancorados no contraponto, na polifonia imitativa e na modalidade (Prima Prattica) foram substituídos por uma nova forma de conceber a música. Da necessidade de expressividade vocal brotou, tanto na música profana como na música sacra, uma nova textura, de melodia em posição preponderante, acompanhada harmonicamente pelo baixo contínuo (Seconda Prattica). Os compositores e intérpretes de então, assumiram-na como nuove musiche.

 

Neste âmbito, o ensemble CUORE ARMONICO apresenta um programa com músical vocal e instrumental, sacra e secular, de compositores como Claudio MonteverdiGiulio Caccini, Francesca Caccini, Giovanni Girolamo Kapsberger, Alessandro Grandi e Tarquinio Merula.